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segunda-feira, 23 de junho de 2014

São Gonçalo, perseguidos políticos, uma nova história vai ser contada.

A cidade de São Gonçalo participou com a sua cota de perseguidos, presos, torturados e desaparecidos, no enfrentamento com a Ditadura Civil Militar, de 1964. Aconteceu no sábado, dia 21 de Junho passado, na sede da OAB-SG, a posse da Comissão Municipal da Verdade.
Quem está no comando dos trabalhos é o Dr. José Luiz da Silva Muniz, filho de perseguido político, e Presidente, em nossa cidade, da entidade máxima representativa dos advogados. O objetivo da comissão é investigar e contar a verdadeira história de gonçalenses, que entregaram corpos e vidas, na luta por uma sociedade mais justa.
Houve momentos de emoção, como nos depoimentos de Eufle da Costa Nogueira, ferroviário, e José Gonçalves, operário naval. Eufle foi torturado por longos cinco dias e noites, e José Gonçalves, segundo palavras suas, por "vinte e cinco dias malditos". Despertou a atenção geral, o discurso agressivo e destemido do Dr. Wadih Damous, Presidente da Comissão Estadual da Verdade. Ele começa a sua oratória, acusando o atual Ministro da Defesa, de cínico e mentiroso, por responder, de forma fraudulenta a perguntas formuladas pela Comissão Nacional da Verdade.

Foto da solenidade de abertura da Comissão da Verdade em São Gonçalo.
Tais perguntas estão relacionadas a procedimentos de órgãos do governo, responsáveis por torturas e assassinatos, como o DOI-CODI, Cenimar, da Marinha, e o Centro de Informações da Aeronáutica. Wadih prossegue com afirmações contundentes sobre o enfrentamento da sociedade contra a ditadura e fala sobre os diversos locais em São Gonçalo, usados pelo aparelho militar, na prática de violências.

Ao finalizar, cita, especificamente, a necessidade de se contar a verdadeira história sobre o centro de torturas e assassinatos, localizado na Ilha das Flores. Para espanto de todos os presentes, a Prefeitura não mandou sequer um representante ao evento, o que nos leva a crer, não ser esse um tema importante para o Executivo Municipal. Também, apesar dos convites, o único representante do Legislativo a comparecer foi o Vereador Professor Paulo, autor do projeto de lei que resultou na criação da comissão.


Sobre o Autor:
Agliberto Mendes Agliberto Mendes é colaborador do Blog Tafulhar. É editor do Blog do Vovozinho e da Página do Facebook Registro Geral.  Facebook: Agliberto Mendes
Sobre o Autor:

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sobre a origem da procissão de Corpus Christi e a tradição gonçalense

A origem dos tapetes de sal não é totalmente certa. O que é certo, entretanto, é que esta foi uma das muitas formas que foram escolhidas para se celebrar de modo solene o mistério do sacramento do corpo e do sangue de Cristo na cerimônia de Corpus Christi. No início dessa tradição, os tapetes continham motivos florais e uma de suas possíveis origens com Santa Juliana de Mont Cornillon, na Bélgica.

Na época, por volta do século XIII, a então Freira Juliana anunciou uma revelação que havia tido de Jesus Cristo, sobre a necessidade que as pessoas tinham de reconhecer sua presença real na Eucaristia. A revelação chegou então ao Bispo de Liége que aceitou e a assim foi instituído a festa de Corpus Christi a então diocese de Liége.
Juliana de Mont Cornillon ou Juliana de Liège (Retinnes, Flandres, 1193 – Villiers, 5 de abril de 1258). Foi uma freira agostiniana do Convento de "Mont Cornillon". Ficou conhecida por promover a introdução da Festa de Corpus Christi no âmbito da Igreja Católica.

A feira que surgiu por conta da festa santa começou em Liége em 1246 e ornava todas as ruas por onde passava a procissão que carregava o Santíssimo Sacramento. Um ano depois ela já ocorria em vários pontos da Europa. No caso do Brasil essa prática chegou com os primeiros colonizadores. Cidades como Ouro Preto tinham suas procissões de Corpus Christi e tapetes de sal, onde também utilizavam serragem.

Vista panorâmica do tapete de Corpus Chris de São Gonçalo. O maior da América Latina. Foto: Magno Santos. Atividade: Agência PapaGoiaba e Memória de São Gonçalo.

Não se sabe em que ano exatamente a prática tenha começado a acontecer em São Gonçalo, todavia, por ser um município onde a presença católica seja muito forte, o tapete de sal tem uma presença firme na tradição e na cultura do município. O tapete de sal de São Gonçalo é o maior da América Latina. Junta mais de 20 comunidades religiosas do município e se alongando por mais de 1,5 km da principal via do centro de São Gonçalo, espalhando cultura, tradição e fé.
Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

terça-feira, 29 de abril de 2014

O caso (do esquecimento) dos Sambaquis de São Gonçalo.

No ano de 2012 pude realizar um dos meus grandes sonhos profissionais, ainda que durante um período relativamente curto: Trabalhar com arqueologia. Poder buscar, escavar, participar de descobertas que mudam o rumo da história era algo que me tirava o sono de uma maneira bastante interessante.

Ilustração: Mundo Estranho Abril. Editora Abril
Mas se por um lado ficava extremamente feliz, outras questões me deixavam bastante entristecido. Conhecendo a profundidade de informações que eram possíveis de serem colhidas com a pesquisa arqueológica em várias localidades, só conseguia me perguntar por que existiam tão poucos dados sobre esse tipo de estudo na região de São Gonçalo. Consultando a base de sítios arqueológicos no site do Iphan, existiam poucos – uns 2 ou 3. Só.

Voltando ao papo sério, no dia 8 de julho do referido ano, foi veiculada uma notícia no site do Estadão sobre a descoberta de 4 sambaquis na área onde o Comperj construía seu píer em São Gonçalo. Obra essa indispensável para o recebimento de equipamentos de grande porte.

Explicando: Sambaqui vem do tupi e significa “amontoado de conchas”. São formações artificiais, algumas do tamanho de morros, erguidos em margens de baías, praias e rios com conchas de moluscos, ossos de animais e humanos, além de restos de objetos primitivos.

Nem preciso destacar como tal achado é importante para a arqueologia brasileira. Nem preciso ressaltar como isso seria importante para a arqueologia gonçalense, tão carente de compreender suas próprias origens. O Sítio Arqueológico da Praia da Luz se concentra na área das praias da Luz e da Beira, regiões carentes do município que teriam muito a ganhar com o desenvolvimento de um polo de turismo arqueológico, que receberia curiosos da região e de fora, assim como pesquisadores que trabalhem com sambaquis.

Muito bonita a descoberta, bastante relevante mesmo. A única coisa que paira em minha mente foi... Por que diabos o Estadão veiculou tal notícia (não tirando o mérito) enquanto NENHUM jornal da região fez o mesmo? Nem Extra, nem São Gonçalo, nem O Dia, Fluminense e (hahaha) muito menos O Globo?  Será que não podem fazer críticas ao Comperj? Por que no final, todas estas instâncias sabem que a descoberta de sítios arqueológicos atrasariam ainda mais as obras do Polo Petroquímico que é construído em Itaboraí?

Apenas à guisa de curiosidade, em 1961, o então presidente Jânio Quadros assinou a lei 3924 que transforma de maneira automática em monumento arqueológico ou pré-histórico os sambaquis como uma estrutura que “representa testemunhos da cultura dos paleoíndios do Brasil”, cabendo aos infratores as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal.


Ainda em tempo: Não fazer voz a uma notícia, para que ninguém saiba para que ele seja descaracterizado e não atrapalhe as obras do Comperj é uma opção válida para que o gonçalenses perca mais um pouco de sua história? Indiferença ao Patrimônio Histórico pode ser considerado crime também? Tomara que sim.

O Figueirinha I, com cerca de 18 metros de altura1
Referências:

Descoberta de sítio arqueológico é novo obstáculo à refinaria do Rio:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,descoberta-de-sitio-arqueologico-e-novo-obstaculo-a-refinaria-do-rio-,897486,0.htm

LEI No 3.924, DE 26 DE JULHO DE 1961.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L3924.htm

MACHADO, Jurema. A Unesco e o Brasil: trajetória de convergência na proteção do patrimônio cultural. In Cadernos de estudos do PEP. Contribuições da 1ª Oficina do PEP. Vassouras, 2006. Rio de Janeiro: IPHAN, 2007. 

Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

domingo, 27 de abril de 2014

Vila Operária Neves, Vila Lage, São Gonçalo


          A Vila Operária Neves, atualmente chamada de Vila Lage, emprestando o nome ao bairro, foi construída por volta da primeira metade da década de 20 do século XX pelo autodidata e empreendedor Henrique Lage para os funcionários e familiares da Companhia Nacional de Navegação Costeira S/A, situada na Ilha do Vianna, em sintonia às novas leis trabalhistas e adequando-se ao novo momento das relações entre as empresas e os trabalhadores. 


Construção das casas da Vila Operária Neves. 
"Ressalta-se que a construção de vilas operárias é uma prática relativamente comum entre os grandes empresários desde fins do século XIX, normalmente contanto com incentivos governamentais e localizadas em terrenos das próprias empresas". (RIBEIRO, 2007, p.169)

          As edificações são realizadas na região de Neves, em São Gonçalo, próximo ao ramal ferroviário da Leopoldina e em terrenos adquiridos, em 1915, pela Lage & Irmãos.

Foto dos Lage (exceto Henrique e Renaud Lage). Fonte: Revista Fon Fon
Terrenos adquiridos às margens da Estrada de Ferro Leopoldina
Olaria mecânica da Companhia Nacional de Navegação Costeira S/A para fabricação de tijolos. 
          A Vila Operária/Vila Lage caracteriza-se por um conjunto de construções habitacionais que segue um padrão arquitetônico com grandes portas e janelas de madeira, além das suas varandas convidativas e telhados inconfundíveis. O conjunto residencial é composto por moradias pequenas de um pavimento com dois quartos e residências grandes, de dois pavimentos com cinco quartos, custando cada uma ao empresário respectivamente 20 contos de réis e 40 contos de réis, e  alugadas aos trabalhadores por cem mil réis e 150 mil réis (RIBEIRO, 2007).


Visão lateral do conjunto de casas sendo construídas Vila Operária Neves. 

Modelo de casa com dois pavimentos. 
          As casas e o Clube Social Vila Lage (Este fundado em 1942) permanecem de pé até a presente data, embora se perceba descaracterizações devido a reformas em algumas casas muito pela falta de informação e incentivo, pois não foram tombados por nenhuma esfera de poder público para que haja a preservação e manutenção desse patrimônio gonçalense.


          O conjunto habitacional de Vila Lage é um vestígio no tempo e no espaço das transformações urbanas, econômicas e sociais, do São Gonçalo do início do século XX e precisa ser preservado!


Referências: Fonte: Imagem1 - Vila Proletária, Neves.. Daniel Ribeiro. Centenário da Independência do Brasil. Álbum do Estado do Rio de Janeiro. Fonte: Imagem 2 – Google Maps, GOOGLE, 2013. Fonte: Imagem 3- Construção das casas da Vila Operária Neves. Revista Fon Fon, 1920, 51 ed.Fonte: Imagem 4- Lage e Irmãos. Revista Fon Fon Fonte: Imagem 5- Terrenos adquiridos às margens da Estrada de Ferro Leopoldina. Revista Fon Fon, 1920, 51 ed. Fonte: Imagem 6-  Olaria mecânica da Companhia Nacional de Navegação Costeira S/A para fabricação de tijolos. Revista Fon Fon, 1920, 51 ed Fonte: Imagem 7- Visão lateral do conjunto de casas sendo construídas Vila Operária Neves. Revista Fon Fon, 1921, 37 ed Fonte: Imagem 8 - Modelo de casa com dois pavimentos. Revista Fon Fon, 1921, 37 edFonte: Imagem 9- Vila Neves atual Vila Lage. São Gonçalo - RJ Fonte: Revista Cruz de Malta, ano I, n. 8, mai/jun 1937. Acervo da Biblioteca NacionalReferência: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_LageRIBEIRO, Carlos Alberto Campello. Henrique Lage E A Companhia Nacional De Navegação Costeira: A História da Empresa e sua Inserção Social (1891-1942), UFRJ, 2007.
Sobre o Autor:
Wilson Santos de Vasconcelos
Wilson Santos de Vasconcelos é editor do Blog Tafulhar. Formado em sociologia pela UFF, mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela ENCE/IBGE e Doutorando em Ciência Política pela UFF.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

3° Batalhão de Infantaria: O Infante Esquecido

Imagem: Tafulhar. Abr. 2013
            Construído na década de 20, no início do século passado para sediar o 3º Regimento de Infantaria do Exército (Regimento Araribóia), foi transformado em 3º Batalhão de Infantaria Motorizada, situado à Rua Dr. Porciúncula, 395, bairro de Venda da Cruz, no município de São Gonçalo-RJ, numa área de 146.772,00 m² (cento e quarenta e seis mil setecentos e setenta e dois metros quadrados) o que equivale a 17 (dezessete) campos de futebol, com as medidas do Maracanã.

Professo Josemar e o 3° BI

Nos países que minimamente valorizam a cultura e a educação temos no tombamento uma forma de imortalizar uma forma cultural, seja ela arquitetônica, seja ambiental, ou uma obra.
Tombar é fazer com que os monumentos e patrimônios ganhem dimensão histórica. A valorização do lugar, é fundamental na construção e na autoafirmação social. Por outro lado, a desterritorialização retira dos fatos e dos objetos.
Não há desenvolvimento humano, sem a construção de identidades societárias. Todo o grupo humano (seja uma tribo, ou uma sociedade complexa) tem pontos intocáveis para sua reprodução cultural e social.

É dessa forma que o Professor Josemar Carvalho, professor e político atuante em São Gonçalo começa sua fala em defesa da manutenção do reconhecimento do 3° BI como uma área importante para a história e cultura da região de São Gonçalo e além, de municípios que receberam inúmeros jovens para o alistamento.

Hoje abandonado, o 3° BI é alvo constante de vandalismo, invasão, bandidagem e uso de drogas. A ideia que eu defendo para a região é que fosse criado ali um espaço de ensino em São Gonçalo. Com toda aquela área poderia ser criada a maior escola em nossa região. Justamente o município que perdeu uma de suas maiores escolas (O Colégio São Gonçalo), poderia ganhar uma grande unidade nova de ensino na região.

Para quem quiser ler o texto completo do professor Josemar Carvalho, basta clicar AQUI. Além de um profissional competente na sua área, o Professor Josemar é um amigo que luta pelas causas de São Gonçalo. 


quarta-feira, 9 de abril de 2014

3° BI - Imagens do abandono.


Álbum do Flickr ampliado! Fotos do 3°BI, imagens do abandono.

Foram inseridas imagens de uma visita em 24 de janeiro de 2014 por Luciano Tardock e Wilson Vasconcelos apresentando o estado de abandono em que o antigo conjunto de prédios que abrigaram um dos Batalhões que mais enviaram pracinhas para a Segunda Guerra Mundial.

Hoje o 3BI está abandonado. Diversas matérias tem sido divulgadas na intenção de direcionar algumas ações dos governos, estadual e municipal, no intuito de não prosseguirem na ideia descabida de demolir toda a área para a construção de apartamentos populares, mantendo no lugar algum projeto que revitalize a área como uma grande escola profissionalizante. 

A área de mais de 100 mil metros quadrados hoje é um problema, uma vez que, segundo relatos da população que mora no bairro da Venda da Cruz, tem dado a possibilidade de ladrões e viciados se esconderem, aumentando assim o nível da criminalidade da região e também de insegurança entre os que moram nas proximidades.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Patrimônio de São Gonçalo - Parte 3.


            Nessa última parte, poderíamos buscar um pouco a questão do patrimônio imaterial. Podemos entender esse tipo de patrimônio como todo aquele que deriva da produção humana como a dança, o canto, a poesia, entre outras áreas.
            Pouco se mantém das práticas culturais de São Gonçalo. Fato curioso é que, nem as que são efetivamente ligadas ao seu santo de origem, são mantidas como é o caso da dança de São Gonçalo. A Dança de São Gonçalo tem origem portuguesa e pode ser encontrada em diversos estados do Brasil, com características próprias em cada região.
            Essa dança era encenada no dia do martírio do santo, dia 10 de janeiro, geralmente no interior das Igrejas erigidas em sua homenagem. Na cidade do Porto, em Portugal, o ato de se dançar nas ocasiões de comemoração a São Gonçalo era chamado de Festa das Regateiras. Ocasião em que participavam as mulheres que queriam se casar. A dança era realizada dentro da igreja, o que nos remete à Idade Média e Moderna em Portugal.

(Vídeo da dança de São Gonçalo).


            Apesar de não existir mais uma data específica para honrarias ao santo, ainda que exista uma data de martírio, acabam por não se fazer mais festas para São Gonçalo. Isso ajuda no processo de enfraquecimento da tradição da sua dança. Locais como na Bahia, Paraná, Minas, Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Sendo que o seu primeiro registro ocorreu na Bahia, no ano de 1718. Nas pesquisas feitas recentemente, nenhuma referência surgiu com relação ao estado do Rio de Janeiro, ou mesmo ao município de São Gonçalo. Parece que, nem a lenda de que São Gonçalo é tão casamenteiro quanto Santo Antônio, talvez o conhecimento dessa característica o salvasse do esquecimento por parte do clero, do povo e das autoridades competentes (e das solteiras, claro).

O Patrimônio de São Gonçalo - Parte 2.


            Na última postagem foi tratada da questão do patrimônio material de São Gonçalo e, como este vem sendo tratado pelas últimas administrações municipais. Nesse agora iremos tratar de outro aspecto da memória local, o reconhecimento de pessoas ilustres da história local.
            Podemos falar que esse aspecto da memória local como sendo pior de ser resgatada do que a questão material. Afinal de contas, os casarões ou outros tipos de residências, continuam na paisagem. Todos acabam as enxergando e vendo sua importância para a localidade, pela identificação com o lugar, muitas das vezes servindo como ponto de referência, mas quando pensamos em pessoas ilustres, muitas das vezes, elas são lembradas apenas em pesquisas acadêmicas e, em casos menores, trabalhos escolares. Em quase todas às vezes, nunca chegando ao grande público.
            Poderíamos citar como exemplo alguns nomes que são importantes para o município de São Gonçalo. Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo. Grande proprietário de escravos, detentor de muitas terras dentro do município e fora dele, benemérito da Irmandade São Vicente, criador do Patronato de Menores, Maçom, Empresário e até hoje, pouco se sabe de sua história. Uma das poucas referências que forçam a lembrança de sua imagem é, primeiramente, a casa do Engenho Novo do Retiro, sua última moradia e, para uns poucos atentos o nome da linha de ônibus “Quinta Dom Ricardo” que passa próximo as suas terras.

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Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo.

            Outros nomes importantes para a história do município são igualmente esquecidos ou, na melhor das opções, viram nome de rua. Zélio Fernandino de Moraes, o anunciador da Umbanda e que morou em Neves, teve sua casa demolida, ainda que sob forte pressão dos órgãos competentes pela manutenção da memória e história. Pouco se sabe de sua colaboração como vereador e dos seus trabalhos. Cônego Goulart, nome importante para a emancipação de São Gonçalo também tem poucos registros na região, mais um nome de rua. Capitão Miguel de Frias e Vasconcelos, que teve fazenda nas terras de do Engenho Novo, foi mais drástico, virou nome de rua sim, mas só em Niterói, nosso município nem mesmo teve a preocupação em manter sua memória.
            A lista de nomes é longa, a grande verdade é que, o gonçalense pouco conhece da história do lugar onde vive. A ideia de se trabalhar a história do município nas escolas da rede (particular e municipal) não é recente, mas nunca foi implantada de maneira efetiva. Falta um direcionamento nesse sentido, desde professores que conheçam a história do lugar, até material para que essas aulas ocorram. Mas isso fica para uma outra conversa.

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Zélio Fernandino de Moraes em foto de 1929 quando foi vereador de São Gonçalo e, na direita, Joaquim Lavoura, um dos principais prefeitos de São Gonçalo. Nomes pouco conhecidos pela população em geral.