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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Logo - Ocupação Cultural - Fazenda Colubandê


Essa é a marca da Ocupação Cultural - Fazenda Colubandê, que vocês podem vir acompanhando no facebook na página Fazenda Colubandê - Quem Ama Cuida. Espalhem essa marca, compartilhem e enviem para os seus amigos.

Ela é uma referência num trabalho pioneiro em parceria entre a sociedade civil, o governo do Estado e instâncias do governo Municipal em prol da defesa de um patrimônio histórico mundialmente conhecido.



A Logo foi desenvolvida pela Agência PapaGoiaba, também gonçalense, a logo trás a imagem da Fazenda Colubandê e também uma árvore que tem sua copa repleta de mãos. Cada uma dessas mãos representa cada uma das entidades participantes da Ocupação Cultural.

Vamos que vamos, os trabalhos não param e, defender a memória de São Gonçalo é lutar por um futuro com melhor qualidade de vida e identificação com o território.



sábado, 5 de julho de 2014

Mestre Ziza, da Av. Paiva para o Mundo.

Nelson Rodrigues dizia que bastavam os alto-falantes do Maracanã anunciarem seu nome para saber quem seria o vencedor da partida. Seu nome Thomaz Soares da Silva, mas foi mais conhecido como Zizinho ou ainda como Mestre Ziza, nasceu em São Gonçalo, na Avenida Paiva, número 77, no bairro de Neves no ano de 1921.
Trabalhou na Fábrica de Tecidos do Barreto ainda bem jovem, também trabalhou no Loyd Brasileiro antes de começar a jogar futebol começando pelo Clube Carioca, disputando o Campeonato Niteroiense. Jogou em diversos times do bairro de Neves. Enquanto atuava por times de São Gonçalo e Niterói, permaneceu atuando como operário.

 
Sendo amparado na final da copa do mundo de 50 e abraçado com Leônidas da Silva, o Diamante Negro.

             Abandonou o Loyd Brasileiro quando foi chamado para integrar o Clube de Regatas do Flamengo. Esse momento durou entre os anos de 39 e 50. Foi considerado um dos maiores jogadores do futebol mundial. Foram 329 jogos com 146 gols marcados. Mestre Ziza é considerado o maior ídolo do clube até a chegada de Zico.

Zizinho jogou ainda por outros times. Bangu, onde repetiu a fase que vinha tendo no Flamengo, se tornando ao longo de duas passagens o 5° maior artilheiro da história do Clube, São Paulo, Uberaba e Audax Italiano (do Chile). O gonçalense de neves, morador na juventude da Avenida Paiva alcançou a seleção brasileira. Foram 30 gols marcados em 54 jogos com 37 vitórias, 4 empates e 13 derrotas. uma delas, o fatídico Maracanaço, a derrota na final da copa de 50. Entretanto, mesmo com a derrota na final, Zizinho foi considerado o melhor jogador da Copa de 50 e, considerado por muitos como o jogador mais completo do mundo depois de Pelé.

Usando a camisa do Flamengo após o tri-campeonato de 1942-43-44 e, na direita, com a então camisa da Seleção Brasileira com o escudo da CBD.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Nova Visita ao 3°BI.

Hoje, dia 27/06/2014, ocorreu mais uma visita ao 3° BI localizado no bairro da Venda da Cruz. Estiveram presentes o historiador Luciano Tardock (Memória de São Gonçalo) sociólogo Wilson Vasconcelos, autor do blog Tafulhar, o arquiteto decano da Universidade Federal Fluminense e Universidade de Brasília Wagner Morgan, o Vereador Diego São Paio, além disso também estavam presentes Lafaiete Junior, José Eduardo Testahy Júnior e Evanildo Barreto (Acesg e Rotary Club São Gonçalo).

O estado do 3°BI não é dos melhores. Problemas estruturais estão aumentando na área. Entretanto, por conta da atividade dos Policiais Civis que se encontram localizados na área, a incidência da criminalidade reduziu, ainda que o espaço seja muito grande e ainda permita a atividade de vândalos que depredam o patrimônio.

A intenção é a da proteção do Patrimônio Histórico que é 3°BI representa não só para a comunidade gonçalense. Deixando claro que esta página, assim como todos os nomes listados acima, não são contra a construção das casas populares para os moradores que ficaram desabrigados na ocasião da catástrofe do Morro do Bumba e outras áreas. Somos sim, contra a destruição de um patrimônio histórico. Esperamos que este patrimônio seja utilizado em retorno para a população dos bairros da região, Venda da Cruz, Tenente Jardim, Barreto e também para moradores de todo o município. 









Imagens cedidas por: José Eduardo Testahy Junior.

Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

terça-feira, 17 de junho de 2014

Sobre a origem da procissão de Corpus Christi e a tradição gonçalense

A origem dos tapetes de sal não é totalmente certa. O que é certo, entretanto, é que esta foi uma das muitas formas que foram escolhidas para se celebrar de modo solene o mistério do sacramento do corpo e do sangue de Cristo na cerimônia de Corpus Christi. No início dessa tradição, os tapetes continham motivos florais e uma de suas possíveis origens com Santa Juliana de Mont Cornillon, na Bélgica.

Na época, por volta do século XIII, a então Freira Juliana anunciou uma revelação que havia tido de Jesus Cristo, sobre a necessidade que as pessoas tinham de reconhecer sua presença real na Eucaristia. A revelação chegou então ao Bispo de Liége que aceitou e a assim foi instituído a festa de Corpus Christi a então diocese de Liége.
Juliana de Mont Cornillon ou Juliana de Liège (Retinnes, Flandres, 1193 – Villiers, 5 de abril de 1258). Foi uma freira agostiniana do Convento de "Mont Cornillon". Ficou conhecida por promover a introdução da Festa de Corpus Christi no âmbito da Igreja Católica.

A feira que surgiu por conta da festa santa começou em Liége em 1246 e ornava todas as ruas por onde passava a procissão que carregava o Santíssimo Sacramento. Um ano depois ela já ocorria em vários pontos da Europa. No caso do Brasil essa prática chegou com os primeiros colonizadores. Cidades como Ouro Preto tinham suas procissões de Corpus Christi e tapetes de sal, onde também utilizavam serragem.

Vista panorâmica do tapete de Corpus Chris de São Gonçalo. O maior da América Latina. Foto: Magno Santos. Atividade: Agência PapaGoiaba e Memória de São Gonçalo.

Não se sabe em que ano exatamente a prática tenha começado a acontecer em São Gonçalo, todavia, por ser um município onde a presença católica seja muito forte, o tapete de sal tem uma presença firme na tradição e na cultura do município. O tapete de sal de São Gonçalo é o maior da América Latina. Junta mais de 20 comunidades religiosas do município e se alongando por mais de 1,5 km da principal via do centro de São Gonçalo, espalhando cultura, tradição e fé.
Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Conde Beaupaire-Rohan.

            O título não é nada simples: primeiro e único visconde com grandeza de Beaurepaire-Rohan. Assim que era conhecido Henrique Pedro Carlos de Beaurepaire-Rohan. Nascido no sítio Sete Pontes em São Gonçalo (na época ainda parte de Niterói) em 1812 mas que viveu durante grande parte da sua vida na Fazenda Paraíso, onde hoje existe o 3° Batalhão de Infantaria, no bairro da Venda da Cruz.
            Seu pais eram Jaques Antônio Marcos de Beaurepaire, conde de Beaurepaire, e da filha do cônsul inglês no Rio de Janeiror, Maria Margarida Skeis de Rohan. Seu pai foi marechal-de-campo do exército francês perseguido por Napoleão Bonaparte, tendo-se refugiado em Portugal e acompanhado D. João VI de Portugal quando da vinda da corte para o Brasil, prestando relevantes serviços à coroa portuguesa.
            O Conde de Beaupaire-Rohan começou sua vida militar muito jovem, com apenas 7 anos de idade, em 1819 e ao que parece, sua vida militar foi impressionante. Aos 17 anos já era segundo-tenente de artilharia. Em 1837, entrou no Corpo de Engenheiros e em 1843 era diretor de obras municipais do Rio de Janeiro, realizando nesta cidade um excelente trabalho de urbanização. Em 1874 se tornou Marechal-de-Campo e no ano de 1880 alcançou a patente de Tenente-General.


Beaurepaire circa 1890 Foto de Otto Hess

            Governou as província do Paraná e do Pará, além de ter sido presidente da província da Paraíba. O seu governo foi marcado pela preocupação com a economia do Estado, a urbanização a educação e saúde da população. Sua administração foi considerada profícua, sendo visto como um político influente no período imperial.
Os últimos anos de sua vida, já afastado das questões militares foram dedicados basicamente a escrita. É autor de grande número de obras como “Relatório da Commissão Geral do Império”, em 1875; “Estudos ácerca da organização da carta geographica e da história physica e política do Brasil”, em 1877; “O futuro da grande lavoura, da grande propriedade privada do Brazil”, em 1878; “O primitivo e o actual Porto Seguro”, em 1881; - “A emancipação do elemento servil considerada em suas relações moraes e economicas”, em 1883; - “O abolicionismo e seus adversários”, publicado a 21 de julho de 1884, na “Gazeta de Notícias”;  60 - “Diccionario de vocabulos brazileiros”, em 1889.

Brasão do Visconde com grandeza de Beaurepaire-Rohan.

Faleceu em julho de 1894 contando com 82 anos de idade depois de muito colaborar para a história, fosse com seus atos militares ou com os textos que escreveu. De acordo com a historiadora Ana Gillies da Universidade Tuiuti do Paraná o Barão “viveu todos os momentos dramáticos do século XIX” e “mesmo passados mais de cem anos de sua morte, ele ainda desempenha o papel que em vida pareceu escolher, ou aceitar para si, o de fonte de conhecimento”, seja essa compreensão para São Gonçalo ou outros lugares do Brasil.
Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

terça-feira, 29 de abril de 2014

O caso (do esquecimento) dos Sambaquis de São Gonçalo.

No ano de 2012 pude realizar um dos meus grandes sonhos profissionais, ainda que durante um período relativamente curto: Trabalhar com arqueologia. Poder buscar, escavar, participar de descobertas que mudam o rumo da história era algo que me tirava o sono de uma maneira bastante interessante.

Ilustração: Mundo Estranho Abril. Editora Abril
Mas se por um lado ficava extremamente feliz, outras questões me deixavam bastante entristecido. Conhecendo a profundidade de informações que eram possíveis de serem colhidas com a pesquisa arqueológica em várias localidades, só conseguia me perguntar por que existiam tão poucos dados sobre esse tipo de estudo na região de São Gonçalo. Consultando a base de sítios arqueológicos no site do Iphan, existiam poucos – uns 2 ou 3. Só.

Voltando ao papo sério, no dia 8 de julho do referido ano, foi veiculada uma notícia no site do Estadão sobre a descoberta de 4 sambaquis na área onde o Comperj construía seu píer em São Gonçalo. Obra essa indispensável para o recebimento de equipamentos de grande porte.

Explicando: Sambaqui vem do tupi e significa “amontoado de conchas”. São formações artificiais, algumas do tamanho de morros, erguidos em margens de baías, praias e rios com conchas de moluscos, ossos de animais e humanos, além de restos de objetos primitivos.

Nem preciso destacar como tal achado é importante para a arqueologia brasileira. Nem preciso ressaltar como isso seria importante para a arqueologia gonçalense, tão carente de compreender suas próprias origens. O Sítio Arqueológico da Praia da Luz se concentra na área das praias da Luz e da Beira, regiões carentes do município que teriam muito a ganhar com o desenvolvimento de um polo de turismo arqueológico, que receberia curiosos da região e de fora, assim como pesquisadores que trabalhem com sambaquis.

Muito bonita a descoberta, bastante relevante mesmo. A única coisa que paira em minha mente foi... Por que diabos o Estadão veiculou tal notícia (não tirando o mérito) enquanto NENHUM jornal da região fez o mesmo? Nem Extra, nem São Gonçalo, nem O Dia, Fluminense e (hahaha) muito menos O Globo?  Será que não podem fazer críticas ao Comperj? Por que no final, todas estas instâncias sabem que a descoberta de sítios arqueológicos atrasariam ainda mais as obras do Polo Petroquímico que é construído em Itaboraí?

Apenas à guisa de curiosidade, em 1961, o então presidente Jânio Quadros assinou a lei 3924 que transforma de maneira automática em monumento arqueológico ou pré-histórico os sambaquis como uma estrutura que “representa testemunhos da cultura dos paleoíndios do Brasil”, cabendo aos infratores as sanções dos artigos 163 a 167 do Código Penal.


Ainda em tempo: Não fazer voz a uma notícia, para que ninguém saiba para que ele seja descaracterizado e não atrapalhe as obras do Comperj é uma opção válida para que o gonçalenses perca mais um pouco de sua história? Indiferença ao Patrimônio Histórico pode ser considerado crime também? Tomara que sim.

O Figueirinha I, com cerca de 18 metros de altura1
Referências:

Descoberta de sítio arqueológico é novo obstáculo à refinaria do Rio:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,descoberta-de-sitio-arqueologico-e-novo-obstaculo-a-refinaria-do-rio-,897486,0.htm

LEI No 3.924, DE 26 DE JULHO DE 1961.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L3924.htm

MACHADO, Jurema. A Unesco e o Brasil: trajetória de convergência na proteção do patrimônio cultural. In Cadernos de estudos do PEP. Contribuições da 1ª Oficina do PEP. Vassouras, 2006. Rio de Janeiro: IPHAN, 2007. 

Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um pouco da história do Educandário Vista Alegre.

Sempre passo em frente a uma construção que me despertava a curiosidade. Consegui identificar o nome com algum esforço (óculos!). O nome era EDUCANDÁRIO VISTA ALEGRE. Escola grande, construção antiga. Daquelas que marcam a paisagem e a história do lugar. Revirei alguns livros que tenho sobre a história de São Gonçalo e não achei nada. Mas continuarei a pesquisar e apresentar mais dados sobre a história desse espaço... Até que encontrei algo na página do Memória Viva.

O site Memória Viva é uma página muito a frente de seu tempo. A 16 anos no ar ajuda a manter em evidência a história e a memória, seja de ícones do passado, seja de lugares e, foi por acaso que encontrei um texto deste site sobre o Educandário em um de seus projetos que é o resgate de algumas matérias de algumas matérias da revista O CRUZEIRO.

O Cruzeiro foi uma revista semanal ilustrada, lançada no Rio de Janeiro, em 10 de Novembro de 1928, editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Foi a principal revista ilustrada brasileira da primeira metade do século XX e deixou de circular em julho de 1975.

O texto assinado pelo jornalista Luciano Carneiro em 24 de outubro de 1959 é um importante documento sobre a convivência das crianças, da celebração do dia das crianças e, principalmente, um texto denuncia sobre, como o próprio autor define sendo "a casa-grande dos filhos de hansenianos no Estado do Rio".

Segue o agradecimento ao trabalho desenvolvido pela página MEMÓRIA VIVA. Abaixo o texto da Revista O CRUZEIRO.

O Educandário Vista Alegre está fechado desde novembro de 2013.
A Educação municipal perde um importante centro de ensino que ajudaria centenas de crianças da região de Vista Alegre e bairros da região.

Os órfãos de pais vivos

Texto e fotos de LUCIANO CARNEIRO

ESTA é a semana em que os jornais e revistas falam da criança. Dia 12 de outubro está aí. Antigamente, era um dia que lembrava sobretudo Américo Vespuccio e sua descoberta. Hoje, o dia 12 é muito mais o “Dia das Crianças” que o abstrato “Dia das Américas”. Não é, garotada?

Claro, muita gente condena tais festas. O “Dia das Crianças”, como o do “Papai”, o da “Mamãe” e o “Dia dos Namorados”, não passaria de um abuso - de mera promoção comercial, das lojas de roupas e brinquedos. Mas para saber se há de fato abuso, ou se o abuso deve ser coibido, é preciso fazer um inquérito entre as crianças. Só elas podem dizer se os presentes do dia 12 são de mais ou de menos. Na realidade, para se acabar com as festas à primeira vista abusivas ou ilógicas, seria preciso mudar muita coisa neste mundo. Para começar, os homens grandes teriam de celebrar o “Dia do Trabalho” não como agora, repousando, mas trabalhando mais. Não é, garotada?

Êste ano, nossa reportagem do “Dia das Crianças” não mostra, como nos anos anteriores, o desamparo em que a maioria delas vive. Nem ensina como tratá-las melhor; ou diz como as famílias ricas cuidam de seus nenens. Êste ano, visitamos o Educandário Vista Alegre, em Alcântara, a casa-grande dos filhos de hanseníanos no Estado do Rio. São êles órfãos de pais vivos, mas vivem uma infância feliz porque determinadas pessoas respeitam uma velha lei de moral, anunciada há séculos - a responsabilidade não é apenas de Deus; o homem é responsável pelos irmãos que precisam de ajuda.

 NO Educandário, a primeira coisa que nos chama a atenção, afora os jardins e as instalações, é o bom-humor das crianças. O fato de a mesma moléstia ligar o destino de seus pais, e mantê-los segregados de si e do mundo, em nada afeta a sua infância. O repórter foi até lá, sem aviso prévio. Não disse sequer à diretoria que ia fazer uma reportagem. E quando empunhou a sua “Leica”, para bater estas fotos, não teve qualquer dificuldade em fixar imagens de pura alegria. Porque as crianças sabim rir. Na sala de aula, sim, tinham uma disciplina a obedecer e obedeciam. Mas, fora, viviam tão à vontade como se estivessem em sua casa - e estavam. Fora das horas de aula, refeição ou repouso, se perdiam no extenso pátio, e brincavam de pés no chão, alma livre como de passarinho.

 Se o destino das crianças depende realmente da infância, então o futuro daquelas crianças parece bem resguardado. A presunção é científica:

- Só podemos ensinar uma criança a cuidar de si mesma, se permitirmos que ela o tente. Os erros que ela cometer cimentarão o seu aprendizado na vida.

Disse uma professôra ao repórter.

ESSAS crianças devem sua boa situação, primàriamente, a D. Eunice Weaver, presidente da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros. Foi ela quem espalhou pelo Brasil inteiro os antigos preventórios, que hoje têm o nome, mais correto e mais humano, de Educandário. Mas com quem elas privam dia a dia e de quem recebem uma afeição direta, é uma senhora de Niterói. D. Edina Lellis Leite. Eleita presidente da Sociedade Fluminense de Assistência aos Lázaros. D. Edina tem sido nesses dois últimos anos o “Anjo Bom” do Vista Alegre. Apoiada, em tôda linha, por seu espôso, Sr. Heráclito Lellis Leite, D. Edina fêz grande reforma no Educandário, liquidou dívidas avaliadas em um milhão e 400 mil cruzeiros, e se deixou enternecer por 200 “filhos adotivos”. Luta com enormes dificuldades, mas não se arrependeu de ter aceito o encargo. “Faz um bem tremendo à alma da gente”, disse.

WALDIR tinha apenas um dia de vida, ao chegar. Mal nasceu, teve de ser afastado de sua mãe, a exemplo do que sucedera a quase todos os meninos que o receberam no Educandário, diante do repórter.

 Quando completar seis anos de idade, êle terá permissão de ir conhecer os pais. E dêsse dia em diante os visitará três vêzes por ano - no dia do papai, no dia da mamãe e no Natal - e poderá acenar-lhes de longe, contar suas histórias e de longe tomar-lhes a benção. (De longe - até que o progresso da medicina traga a notícia definitiva, tão esperada, aquela que permitirá abraços e beijos de perto, e o sonho de um convívio comum.)

Quando a diretora do Hospital, D. Maria W. Thomsen, acomodou Waldir no berçário, uma jovem de 17 anos, que também chegara com aquela idade, pediu licença e pregou no véu do berço uma rosa apanhada no jardim. Era mais um gesto de boas-vindas ao novo irmãozinho.

Crédito do texto e do trabalho de resgate da revista o Cruzeiro: http://www.memoriaviva.com.br.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Uma história dos prados gonçalenses.


Quando eu falar em competição bretã não se enganem, São Gonçalo não viveu apenas de futebol com seus times do Mauá, Tamoio e Metalúrgico. Um outro esporte fazia um grande movimento por estas terras.


Com ao menos dois espaços reservados, o turfe movimentava a região. O primeiro era o Hipódromo Guanabara, sediado em Neves e que, atualmente, só resta a construção da 73 DP, que era o antigo estábulo do Hipódromo Guanabara. 

Como foi destacado: "Era tão conhecida do lado de cá da baía de Guanabara que, segundo Carlos Wehrs, quando a barca "Especuladora" explodiu, em 23 de maio de 1844, a maioria de seus duzentos passageiros se dirigia às corridas em São Gonçalo."


73° DP, antigo estábulo do Hipódromo Guanabara.



Já o Prado de Alcântara, que tinha sua pista na Fazenda do Coelho, passou à História conforme o relato do historiador gonçalense Luiz Palmier: "Aos domingos, em terras da Fazenda do Coelho, alguns páreos eram disputados, constituindo motivos de grande afluência do povo para apreciar as corridas de cavalos". (In "São Gonçalo").


Corrida nos prados, foto meramente ilustrativa.



Aliás, dia de corrida era dia de festa com direito a foguetório, roupas "de domingos" e tudo o mais. Solenes cavalheiros e mocinhas que ocultavam o sorriso atrás de trabalhadíssimos leques de seda e madrepérola desfilavam entre os aficcionados, ascendendo paixões e alimentando esperanças.

Na Fazenda dos Irmãos Gianelli, em Guaxindiba, ainda segundo Palmier, os convidados posicionavam-se nas varandas laterais, de onde acompanhavam a competição entusiasticamente, brindando vinhos e licores caseiros ou fazendo apostas ruidosamente.

Ninguém sabe precisar quando e por que terminaram as corridas em São Gonçalo. O certo, no entanto, é que elas aconteceram. E até deixaram, como lembranças às novas gerações, um bairro que perpetua, pelo nome, o profissional mais importante desse esporte nobre: o Jóquei.

Agora é cavar e descobrir mais informações sobre os Prados Gonçalenses!

Referências:



Texto originalmente publicado em 18/12/2012 na página Memória de São Gonçalo.
Sobre o Autor:
Luciano Campos Tardock Luciano Campos Tardock é colaborador do Blog Tafulhar e coordenador do Memória de São Gonçalo. Formado em História pela Universidade Salgado de Oliveira, Especialista em História Moderna pela UFF e Mestre em História do Brasil também pela Universidade Salgado de Oliveira. Participou do Centenário do ex-prefeito Joaquim Lavoura e atualmente faz parte da Comissão da "Operação Fazenda Colubandê - Quem ama cuida".

A visita do Vereador Diego São Paio e o abandono do 3° Batalhão de Infantaria.

A causa da memória, história e da cultura gonçalense parece que vem tomando força. Se já foi anunciado aqui o texto do Professor e Político Josemar Carvalho, falando com propriedade sobre a questão da valorização de nosso patrimônio, agora destacamos a fala do então vereador Diego São Paio. O vereador tem atuação de destaque na comissão da "Operação Fazenda Colubandê: Quem Ama Cuida" e agora se junta a causa do abandono do 3° Batalhão de Infantaria. 

Como é destacado pelo vereador: "Essa área que pertence ao Estado, poderia dar muitos frutos positivos para nossa cidade". Acompanhado pelo Dr. Augusto Carriço (Próximo presidente do Rotary Club Sg) e pelo presidente da Associação Comercial de São Gonçalo, Evanildo Barreto, que também foram incisivos no valor que esse espaço acrescentaria para o bem de nosso município: "Principalmente no campo da educação", como destacado por Evanildo Barreto.


O Vereador Diego São Paio com Evanildo Barreto (ao centro) e o Dr. Augusto Carriço.

Uma espetacular ferramenta de apoio a sociedade no campo da educação, no campo do lazer. Poderíamos ter um horto botânico, uma escola técnica. Uma vez que nossa região carece de capacitação profissional. - Evanildo Barreto.

O 3°BI foi destinado para ser demolido e em seu lugar, construído casas populares para os moradores que foram afetados pelas chuvas e perderam suas residências. Um ponto que deve ficar claro a todo instante é que não somos contra a construção de casas populares para esses homens e mulheres que perderam tudo. Apenas discordamos no local escolhido, uma vez que o 3°BI é reconhecidamente uma referência na história de São Gonçalo, do estado do Rio de Janeiro, do Brasil e do Mundo, como podemos destacar pelo envio de tropas de paz que atuaram em diferentes pontos do mundo, saídos diretamente do batalhão abandonado.
 A população quer a revitalização dessa área. - Dr. Augusto Carriço.
Para finalizar, é com muita satisfação que podemos ver os primeiros passos serem dados com relação a luta da Fazenda Colubandê. Agora, vamos lutar por outros equipamentos culturais de São Gonçalo. A briga agora é pelo 3°BI, mas não iremos esquecer da Fazenda Engenho Novo, das ruínas da Fazenda Jacaré, da Capela da Luz, dos Sambaquis da Praia da Luz e dos sítios arqueológicos que estão devidamente abandonados pela Cultura de nosso município. 

Desistir não é uma opção.

Avante.

Abaixo, o vídeo da visita do vereador.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Album: Jázigo do Barão de São Gonçalo.



Então, já viu todas as fotos do Jázigo de Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo? Clica no link abaixo que você terá acesso ao álbum de fotografias. Gradualmente o Memória de São Gonçalo irá disponibilizar livremente todas as fotos que fazemos em nossas atividades. As mesmas podem ser utilizadas em qualquer atividade educativa ou acadêmica, mas dá os créditos aí. Basta dar o devido crédito. Acho que vocês imaginam como é pular muro, correr de cachorro, tiro de sal... Espero que se divirtam e gostem das fotos.

sábado, 17 de agosto de 2013

Galeria de Fotos

Devagar vamos incluindo novas atividades na página do Pró-Memória de São Gonçalo. Aqui estão algumas das fotos das primeiras atividades desenvolvidas, da participação nos eventos da vida cultural e histórica de São Gonçalo. De tempos em tempos, novas fotos serão disponibilizadas dentro dessa e de outras galerias de atividades.

Para ter acesso a galeria, basta clicar no link: http://www.flickr.com/photos/100482371@N08/